quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ORIENTAÇÃO

Oriente-se nesse mundo imenso
Siga à risca as coordenadas
Use a bússola e o bom-senso
Deixe a porta escancarada

Trace centenas de paralelos
Sobre o mar, sobre gregos e troianos
Com lápis azuis, verdes ou amarelos
Escorrege verticais os meridianos

Cardeais antagônicos e extremos
À deriva no desalento
Colaterais, mas também supermos
Dos rumos ou rosa-dos-ventos?

Astrolábio, espaço e amplidão
Poente o sol nascente acontece
Cruzeiro do Sul na solidão
Satélites digitais e GPS

Leste, Oeste, Norte, Sul
Nascente, oriente, poente, ocidente
Seguir as direções do planeta azul
Pode ser fantástico e surpreendente

Em 30/08/2004
Serrolândia - BA

domingo, 8 de agosto de 2010

VAZIO

O vazio não é vazio
Porque preenche os espaços
Enche os lugares de vazio
Ele é algo que existe
A vida, o sonho, o caos
A liberdade
O vazio pode ser o pano de fundo
Da alma humana
Do existir
Ocupa mais espaço neste mundo
Que qualquer coisa
Não é algo insignificante
Descartável
Ou coisa qualquer
Esvaziar os espaços
É deixá-lo cheio
Cheio de possibilidades
Repleto de enigmas
De obscuridades
Tolice é pensar
Que estar vazio
É estar sozinho

Em 30/08/2004
Em Serrolândia - BA

sábado, 7 de agosto de 2010

DE MIM

Parte de mim é solidão
A outra parte é medo
Do lado direito, ilusão
Do lado esquerdo, segredo

Do lado de dentro é verdade
Do lado de fora, paixão
No canto de lá, sensibilidade
No canto de cá, tesão

Do canto de cima, bondade
Do lado oposto, perversidade
Do lado do bem, o mal
Do mau, o bom, igual

Aqui, a sinceridade
Ali, a verdade
Acolá, altivez
Bem pra lá, insensatez

Perto dos pés, certeza
Acima dos olhos, clareza
Abaixo do umbigo, bramura
Acima dos ombros, bravura

Na fronte encarnada, lucidez
Nas costas cansadas, maciez
Nos joelhos, obediência
Na cabeça baixa, demência

A boca, luxúria
No toque das mãos, candura
O ouvido, lamúrias
E na mente, loucura!

Em 30/07/2010
Serrolândia - BA

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

À LASER?!

Era preto o vinil
Lado A e lado B
Robusto e viril
Acabou que ninguém vê!

Aí veio o CD
Um tal compact disc
Aposentou o LP
Vendeu mais do que alpiste

O tempo foi passando
O DVD inventaram
Vídeo cassete acabando
A fitinha aposentaram

Agora vejam vocês
A coisa foi mais além
Inventaram MP3
Música pela Internet
Num CD é mais de cem

É tanta novidade
Chega dá agonia
É o preço que se paga
Pela tecnologia

Serrolândia - BA
Em 23/08/2004

domingo, 25 de julho de 2010

MENINO DESALENTO

Um olhar triste e desbotado
O menino sorri de desalento
Murcho em seu cantinho de solidão
Busca a luz opaca da escuridão
Driblando as vidas cordas do tormento

Que menino é esse
Que nas tortas vielas lamenta?
Escondido sob a própria sombra
De pés descalços na vida tromba
É a tristeza que se apresenta

Levanta menino, levanta daí!
Sacode os galhos que te fazem feliz
Ergue os olhos, arriba a cabeça
Grite, corra, cresça e apareça
Vai nos erros tornar-se aprendiz

Sue a camisa rota
Rasgue o peito e mostre o que és
Piche os muros dessa insensatez
Desabroche e nasça mais uma vez
No destino, desenlace e recosture o viés

Serrolândia - BA
18 de Dezembro de 2005

segunda-feira, 12 de julho de 2010

CORDEL DO 11 DE JULHO

Ave Maria!
Nossa Senhora!
"Crem" Deus Pai!
Cruz credo!
Quase que me esqueço
Nossa Senhora da Encarnação!
É hoje o dia
11 de julho
De da Arte e Educação

Mas não vamos nos espantar
É um dia muito especial
Com todo um significado
Arte, educação, cidadania
Comemoremos com muita alegria
Essa data sensacional
É o povo, que com ousadia
Vem transformar o desigual

Em 28/06/2003
Serrolândia - BA
Feito especialmente para
a estreia do grupo ARTEFATO

sábado, 10 de julho de 2010

O SOM DA CAATINGA

As áridas planícies do grante sertão
Desvendam os mistérios da sua alma
O sol alaranjado banha o céu
De tons em degradê
As colinas desnivelam-se mais escuras
E no horizonte as árvores balançam
Sob a brisa fresca de fim de tarde
Pássaros aglutinam-se nas copas das árvores
A fim de um sono tranquilo
A maleta na água
Ondula calmamente
Pequenas folhas que se desprendem dos galhos
Vaga-lumes cintilam o capim ressecado
E pequenas partículas de poeira
Sobem acinzentando a paisagem
Equanto nuvens disformes
Seguem seu rumo sem pressa
Ao longe, as cigarras emitem sonoridades
De um verão seco à espera das primeiras águas
Os grilos já dão o ar da graça
Numa harmonia sonora contagiante
Enquanto no céu
As estrelas fazem sua parte
Deixando tão belos
Os fins de tarde na caatinga

Em 26/09/2004
Serrolândia - BA